Trauma e Superação

O que a psicologia, a neurociência e a espiritualidade ensinam

O livro

Foi com grande satisfação que recebi o convite do psicólogo e pesquisador Julio Peres para ler uma versão preliminar de seu livro e fazer comentários tendo em vista o aprimoramento da obra. Sendo amigo e parceiro de pesquisas do Julio há vários anos, tinha certeza de encontrar um livro arrojado e inovador. Não me decepcionei. Agora que o livro está terminado, é com enorme prazer que escrevo a apresentação de Trauma e Superação: o que a Psicologia, a Neurociência e a Espiritualidade Ensinam.

Coerente com o perfil de seu autor, este livro apresenta uma abordagem atual, leve e inovadora. Não se restringe apenas a apresentar dados frios de pesquisa, mas busca o significado destes para a vida real das pessoas. Há um genuíno interesse em colaborar para o aumento da felicidade e do bem-estar humanos. Esses deveriam ser sempre os objetivos finais de todos os profissionais e pesquisadores envolvidos com a saúde humana, mas, infelizmente, não é sempre o caso.

Com o intuito de gerar uma real contribuição para o entendimento e manejo do trauma psicológico, o livro busca uma abordagem integradora de várias propostas teóricas e terapêuticas e também discute implicações éticas para os profissionais e, mesmo, para todos nós, membros da humanidade, em busca de uma convivência harmônica. Há uma interessante ênfase em achados recentes de pesquisas que salientam o papel crucial dos aspectos cognitivos,que envolvem a atribuição de significados, o ponto de vista sob o qual percebemos e interpretamos o mundo, nós mesmos e o evento traumático.

Em sintonia com o que de mais recente tem sido produzido na literatura científica mundial, Julio Peres não se limita ao tradicional enfoque que habitualmente se concentra no trauma, na dor, no sofrimento, nas limitações e na doença. O autor, embora também trate desses aspectos, dá grande ênfase aos fatores promotores de saúde, bem-estar e felicidade. Os conceitos de resiliência e de crescimento pós-traumático recebem o merecido destaque. Ainda nessa linha, são abordados fatores ligados à espiritualidade, um recurso fundamental para grande parte da humanidade em termos de atribuição de significados e repertório para lidar com situações adversas. Ainda dentro de sua abordagem arrojada, discute a personalidade, seus fatores constituintes e a controversa relação entre cérebro e consciência.

Entre os vários outros aspectos que merecem destaque nesta obra, está a defesa de uma psicoterapia verdadeiramente centrada no paciente e não em dogmas de escolas ou nos pressupostos assumidos pelo terapeuta. É lamentável o quanto o progresso na teoria e prática das psicoterapias, bem como o bem-estar dos pacientes, é comprometido por disputas, dogmatismos e vaidades.Para que nossa prática psicoterápica traga o máximo de frutos salutares ao seu principal interessado, o paciente, faz-se mister ter habilidade e sensibilidade para usar o que for mais eficaz para uma dada situação e mais adequado ao indivíduo. Ou seja, é preciso adequar o tratamento que oferecemos ao paciente, e não o inverso, como ocorre tantas vezes. Para isso, são cruciais o desenvolvimento de empatia e buscar compreender o contexto cultural específico de cada paciente. Ter como meta uma prática livre de preconceitos (filosóficos, religiosos ou científicos) e estar ciente deles com o intuito de evitar ao máximo que atrapalhem o bom atendimento às reais necessidades das pessoas que nos procuram e nos confiam suas vidas, suas dores e esperanças.

Por fim, Julio Peres nos fala da Cultura da Paz, destacando nosso papel real e ativo na construção de um mundo melhor. Atualmente , falar do Bem ou de virtudes pode parecer piegas ou retrógrado, mas como bem escreveu o filósofo André Comte-Sponville (1999):

 

"Das virtudes quase não se fala mais. Isso não significa que não precisemos mais delas, nem nos autoriza a renunciar a elas. É melhor ensinar as virtudes, dizia Spinoza, do que condenar os vícios. (...) Não se trata de dar lições de moral, mas de ajudar cada um a se tornar seu próprio mestre (...)."

 

Para todos nós, diante da violência e conflitos no mundo como cidadãos, pacientes ou terapeutas, os desafios são enormes, mas,de acordo com o grande exemplo de Gandhi, é preciso fazer a parte que nos toca: "Devemos ser a mudança que gostaríamos de ver no mundo". Nesse aspecto, esta obra que o caro leitor tem em mãos se constitui numa importante ferramenta para todos aqueles interessados em entender e lidar melhor com os eventos traumáticos aos quais todos nós somos suscetíveis. Bom proveito!

 

ALEXANDER MOREIRA-ALMEIDA

Doutorado em Psiquiatria pela Universidade de São Paulo

Pós-doutorado em Psiquiatria pela Duke University (EUA)

Professor Adjunto de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF)

iretor do NUPES - Núcleo de Pesquisas em Espiritualidade e Saúde da UFJF

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